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Projeto Observatório Oceânico da Madeira, possível com o apoio do Programa Operacional Madeira 14-20

03-08-2021

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Com o aproximar do encerramento do Programa Operacional Madeira 14-20, aproveitamos para falar com os intervenientes em alguns projetos que beneficiam de fundos europeus, no âmbito deste Programa.

O primeiro destes projetos que, hoje, vos damos a conhecer, é o Observatório Oceânico da Madeira (OOM). Polo de excelência, dedicado à investigação e monitorização permanente do oceano, o OOM conta com a colaboração de investigadores de instituições nacionais e internacionais.

Nos últimos 6 anos a OOM criou aplicações móveis, publicou centenas de artigos científicos em revistas internacionais e tem vindo a desenvolver atividades de educação e divulgação sobre a temática do mar, envolvendo 7.500 alunos e mais de 300 professores da Região. 

Entrevista com Rui Caldeira, Coordenador do projeto Observatório Oceânico da Madeira.


Custo Total do Projeto
: 3.499.941,27 EUROS

Custo Total Elegível: 3.471.762,30 EUROS

Contribuição FEDER: 2.950.997,96 EUROS

Em que consiste o projeto que foi alvo do apoio?
O projeto consistiu na criação de um Observatório que i) demonstrasse as competências científicas em ciências do mar existentes na Região; ii) consolidasse dados e informação histórica na literatura científica internacional; iii) demonstrasse o potencial e a necessidade de construir sistemas permanentes de recolha sistemática de dados, ou seja, sistemas de monitorização do Oceano.

Conte-nos o processo desde que surgiu a ideia ou necessidade, até a aprovação do projeto.
Durante a construção do programa de Especialização Inteligente da Região Autónoma da Madeira (RIS3 / EREI-Madeira), verificou-se a necessidade (e relevância), da Região, promover a temática das "Ciências do Mar". No decorrer de um workshop que incluiu a participação dos principais intervenientes regionais verificou-se a necessidade de constituir um consórcio Regional com capacidade para contratar recursos humanos especializados, e que ajudassem a consolidar os dados  e informação histórica existente bem como dinamizassem novas iniciativas na área das ciências do mar. Ficou acordado entre os participantes no workshop que deveríamos designar esta nova iniciativa de “Observatório Oceânico da Madeira - OOM".

Em que medida, o apoio da União Europeia foi fundamental para a realização/execução deste projeto?
Foi ESSENCIAL! Os fundos Europeus capitalizaram o Observatório Oceânico da Madeira em cerca de 3.7 M de euros. Este financiamento serviu não só para custear as atividades previstas no Projeto do Observatório Oceânico da Madeira, como também permitiu alavancar e acrescentar financiamentos complementares provenientes de outras fontes e programas de financiamento. Com as atividades e pessoas do OOM a Madeira consegui atrair cerca de 7.7 M de euros em financiamento para as ciências do mar no período compreendido entre 2015-2021.

Qual a importância deste projeto para o presente e futuro da população/investigação/preservação dos oceanos?
Para a população em geral, o projeto produziu informação útil, essencial para a gestão dos recursos marinhos e marítimos. Por exemplo, foi construída uma aplicação móvel (MADEIRA-FISH) com um catálogo das espécies comercias consumidas na RAM. Também foi produzida informação sobre os recursos pesqueiros e foram feitos ensaios sobre novas espécies a explorar em aquacultura (ex. ouriço-do-mar). Foi ainda criado um sistema de previsão meteorológica-oceanográfico de alta resolução que todos os dias produz previsões à escala regional. As previsões são disponibilizadas através da página do Projeto OOM, bem como através das aplicações móveis MADEIRA-WEATHER e MADEIRA-OCEAN (https://oom.arditi.pt/apps.php).

O Projeto OOM desenvolveu ao longo dos últimos 6 anos várias atividades de educação e divulgação sobre a temática do mar. Frequentaram o programa educativo do Observatório de +7500 alunos e +300 professores da Região. As ações de formação de professores ministradas pelo OOM foram acreditadas pela Direção Regional de Educação e o Observatório ajudou a implementar o programa ‘Escola Azul’ na Região, um programa nacional de literacia do Oceano promovido pela Direção-Geral de Política do Mar. Neste programa o OOM integra a Comissão científico-pedagógica da Escola Azul e é também um parceiro dinamizador de atividades.

Em termos da investigação, foram produzidos +200 artigos científicos publicados em revistas internacionais que contribuíram para prestigiar o trabalho científico que se está a desenvolver na Região, nesta área do conhecimento. Presentemente a Madeira produz um número de artigos científicos muito próximo daqueles produzidos noutros arquipélagos Atlânticos, como os Açores e as Canárias, contrariamente ao período anterior compreendido entre 2000-2015. Dados científicos trabalhados e/ou ainda por tratar estão disponíveis em bases de dados acessíveis através da página web do projeto.

No âmbito da preservação dos recursos marinhos, foram desenvolvidos vários estudos e publicados vários trabalhos sobre espécies emblemáticas e/ou que constam da lista de animais ameaçados ou em vias de extinção, e que podem servir para orientar políticas públicas de conservação e preservação. Estão igualmente publicados vários trabalhos que incidem sobre a problemática da poluição do mar, em especial sobre o lixo marinho, e sobre espécies invasoras. Estes estudos são importantes para ajudar na mitigação deste tipo de ameaças ao meio marinho, contribuindo assim para a preservação dos recursos. 

Que opinião ficou da forma como decorreu todo o processo, desde a candidatura até à sua aprovação?
Decorreu de forma muito expedita. A candidatura foi submetida em Junho de 2015 e aprovada formalmente em setembro do mesmo ano.

Se não fosse o apoio da União Europeia, teriam avançado com o projeto? Explique-nos o que teria mudado?
Este projeto não poderia ter avançado sem estes níveis de financiamento. Por outro lado, são muito poucos os instrumentos financeiros com este nível de dotação para atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) em Portugal. Uma possível alternativa seria dividir o projeto em sub-projetos que, fragmentado, muito possivelmente não obteria os mesmos resultados e muito menos teria o efeito multidisciplinar e agregador que foi conseguido com o atual financiamento. A título comparativo, o investimento máximo por projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia ronda os 250 mil euros; seriam necessários cerca de 15 projetos FCT para financiar o mesmo nível de atividades que foram financiadas pelo programa Madeira 14-20. Anualmente a FCT aprova 10-12 projetos em cada concurso e nunca são todos para a mesma instituição proponente. Logo, muito dificilmente conseguir-se-ia financiar o mesmo tipo de atividades de forma concomitante como se conseguiu com o apoio da EU no âmbito dos programas Estruturais.

De que forma o IDR - Instituto de Desenvolvimento Regional, autoridade de gestão do PO Madeira 14-20, foi importante na concretização de todo o processo?
Foi muito importante! A gestão do projeto beneficiou de uma supervisão e de um apoio assíduo do IDR, que permitiram garantir uma execução rigorosa e eficiente do financiamento.

Consideram recorrer a novos apoios da União Europeia? Essa possibilidade permite-lhe ter uma visão diferente para o futuro dos vossos projetos? De que forma?
Temos vindo a recorrer a fundos europeus para além do atual projeto. Este projeto capacitou a comunidade científica com muitas valências, credibilizou as atividades de I&D que se fazem na Região e, com isso, tornou a Madeira numa Região Europeia que, embora ultraperiférica, pode ser um parceiro importante a ser considerado em projetos futuros, particularmente na área das ciências do mar.

 

Atualizado a 03 de agosto de 2021
   

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